Quarta-feira , Dezembro 19 2018
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Gestos e atitudes na liturgia

1. O sinal da cruz

Na liturgia, o acólito faz gestos e toma atitudes corporais. Vamos ver, nesta lição, quais são os seus gestos e atitudes mais importantes.

Quando os nossos pais nos levaram à igreja da nossa paróquia para sermos baptizados, o sacerdote e depois os nossos pais e padrinhos, fizeram-nos o sinal da cruz na fronte. Porquê? Porque o sinal da cruz é o mais importante de todos os sinais cristãos. Ele recorda o mistério pascal de Cristo, que tem no centro a cruz onde Ele deu a sua vida por nós.

Não admira, por isso, que todas as celebrações litúrgicas comecem pelo sinal da cruz e pelas palavras: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A seguir, ao longo das celebrações, o presidente faz, por vezes, o sinal da cruz sobre as pessoas e as coisas. E, por fim, todas as celebrações terminam também pelo sinal da cruz, em forma de bênção. Diz o sacerdote: Abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai, Filho, e Espírito Santo. E enquanto ele diz estas palavras, traça, com a mão direita, uma cruz sobre toda a assembleia, e cada um dos fiéis faz sobre si próprio o sinal da cruz.

Não é só na liturgia que isto acontece. Ao deitar-se e ao levantar-se o cristão faz o sinal da cruz. Como o faz? Colocando a mão esquerda, se está livre, sobre o peito, traça sobre si mesmo uma cruz, com a mão direita aberta, da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito, dizendo: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amen.

Quando se pode dispor de água benta, começamos por molhar a ponta dos dedos da mão direita na água, e depois benzemo–nos. A água benta recorda-nos a graça do santo baptismo.

Nos desafios de futebol transmitidos pela televisão, com frequência vemos os jogadores, ao entrarem no campo, a fazer o sinal da cruz… mas muito mal feito. E não são só eles. Há cristãos que até na igreja fazem o mesmo. Não se pode chamar àquilo um sinal da cruz. Quando muito, será a sua caricatura. Quando te benzeres, não faças assim. O Senhor que por ti morreu na cruz merece mais do que isso. Benze-te sempre devagar e com muita dignidade, pensando em Jesus, teu Salvador e Mestre.

2. O nosso corpo e o espaço

Quando estamos de pé, o espaço tem para nós seis partes: acima de nós, abaixo de nós, à nossa frente, à nossa retaguarda, à nossa direita e à nossa esquerda. Para chegar ao que está acima de nós elevamo-nos nos pés e levantamos os braços; apanhamos o que está abaixo de nós abaixando-nos; alcançamos o que está à nossa frente avançando; recuamos quando queremos ir buscar o que ficou lá atrás; sempre que precisamos de ir para a direita ou para a esquerda, para aí nos voltamos antes de começarmos a andar nessa direcção. Fazemos cada um dos nossos movimentos exteriores com os nossos pés e as nossas mãos.

Estará tudo dito? Não haverá mais espaço nenhum a explorar? Há sim. Podemos falar também do espaço que existe dentro de nós, aquele que constitui o nosso mundo interior. Para entrarmos nesse universo não usamos os pés nem as mãos, mas o nosso espírito. Entramos dentro de nós recolhendo-nos, ou andamos por fora de nós quando nos dispersamos.

3. Estar de pé

Na missa, os fiéis estão de pé: desde o início do cântico de entrada, ou enquanto o sacerdote se encaminha para o altar, até à oração colecta, inclusive; durante o cântico do Aleluia que precede o Evangelho; durante a proclamação do Evangelho; durante a profissão de fé e a oração universal; e desde o invitatório Orate fratres antes da oração sobre as oblatas até ao fim da missa, excepto nos momentos adiante indicados.

4. Caminhar

Na liturgia, para fazer a maior parte das acções, caminha-se. Assim acontece na procissão de entrada, quando o leitor vai ler ao ambão, quando o acólito se levanta para levar os dons ao altar, durante a procissão da Comunhão, ao sair da igreja, depois da despedida. Em todos esses momentos, e ainda noutros, se caminha na liturgia.

Não é fácil caminhar bem e com dignidade durante a missa. Muitos fazem-no de maneira desagradável e distraída; outros com demasiada pressa ou devagar demais.

O acólito deve ser ensinado a caminhar bem. Eu diria até que a primeira coisa que ele deve aprender é a caminhar na presença de Deus e em direcção a Deus. Quando caminha na procissão de entrada, quando vai buscar o missal e o leva ao presidente, quando acompanha a procissão do Evangelho, quando caminha para levar os dons ao altar, quando caminha ao lado do presidente segurando a bandeja na comunhão…

5. Estar sentado ou de joelhos

Ouve-se melhor alguém que fala, quando se está sentado. Por isso nos sentamos durante as leituras que precedem o Evangelho e durante o salmo responsorial; durante a homilia e a preparação dos dons; e, conforme as circunstâncias, durante o silêncio sagrado depois da Comunhão.

Estamos de joelhos durante a consagração, excepto seas razões de saúde, a estreiteza do lugar, o grande número dos presentes ou outros motivos razoáveis a isso obstarem. Mas se alguém não puder ajoelhar-se nesse momento tão importante, deve fazer uma profunda inclinação de todo o corpo, à elevação da hóstia e do cálice.

6. Genuflexão

A genuflexão consiste em dobrar o joelho direito até ao solo, por respeito, e a voltar a erguer-se em seguida. O corpo deve manter-se direito. O acólito deve genuflectir sempre que passe diante do Santíssimo Sacramento, a não ser que vá em procissão ou leve nas mãos algum objecto. É o que acontece quando leva o turíbulo, a cruz ou as velas na procissão de entrada ou na procissão do Evangeliário.

Fora da celebração da missa, genuflecte-se sempre diante do Santíssimo Sacramento quer exposto na custódia, quer no sacrário.

Todos genuflectem à Cruz, desde a adoração solene, em Sexta-feira Santa, até à Vigília Pascal, e a assembleia genuflecte às palavras «E encarnou…», nas solenidades da Anunciação e do Natal do Senhor; nos restantes tempos e festas faz, apenas, uma inclinação.

7. Uniformidade dos gestos e atitudes

Para se conseguir a uniformidade nos gestos e atitudes numa mesma celebração, é preciso que os fiéis obedeçam às indicações que, no decurso da celebração, lhes forem dadas pelo diácono, pelo ministro leigo ou pelo sacerdote, de acordo com o que está estabelecido nos livros litúrgicos.

 

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